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Quarta-feira, Junho 29, 2005
SOBRE MENTIRINHAS E DOTES ARTÍSTICOS...
há muito eu não aprontava uma, fazia tempo mesmo, a última arte que fiz que me lembre foi pisar no bolo da minha mãe, deixar minha pegada, e dizer com uma cara de anjo que foi meu irmão, o melhor era quando ele jurava que não foi ele, e cheio de raiva enquanto levava a bronca, me olhava com os olhos quase saltando pra fora, como quem alertava que eu seria a próxima a levar cascudos.
Hoje eu repeti, eu aprontei, abri uma estufa que não devia e deixei cair um vidrinho, e quebrou, procurei de todo jeito arrumar, sem sorte, então procurei outro para colocar no lugar, não achei, achei um esmalte transparente, passei no lado quebrado e grudei no restante, colou, fechei a estufa, e não se fala mais nisso.
1 hora depois...
- Marília você viu se alguém mexeu na estufa?
- Que estufa? Tem estufa aqui?
- É, tem sim lá no consultório.
- Não vi não, por que?
- Nada, deve ter sido alguma auxiliar que quebrou o vidro.
- É, deve ter sido.
- Tá bom, obrigada.
2 horas depois...
- Marília você perdeu algum esmalte?
- Eu não, por que?
- É que esqueceram dentro da estufa.
- Outra estufa? mas isso aqui tá cheio delas hein...
- Hum coincidência, você não acha?
- Hum... eu não acredito em coincidências, eu acho é que você deveria guardar melhor suas coisas.
- Mas não é meu.
- Tem certeza?
- É, acho que sim.
- Viu, nem certeza você tem, como sabe que não é seu?
- É acho que você pode estar certa, droga, é melhor eu tirar meu esmalte da estufa.
E até eu estou acreditando nisso, estufa? Que estufa?
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Marília
Segunda-feira, Junho 27, 2005
TOMORROW NEVER DIES?
A palavra hoje é tão sem sentido quanto a palavra futuro é assustadora para mim, eu não sei de muitas coisas, mas quero todas elas, eu pouco entendo de direitos e deveres, mas me peguei pensando - no domingo, é claro - que o amanhã é algo que nunca chega mesmo, só pode ser por isso que eu deixo tudo pra ele, pro amanhã, por me acomodar na esperança do tardio, do que nunca virá, então se eu sei que nada mudará, que eu não tomarei decisões amanhã, simplesmente por ele não existir, tudo continuará do mesmo modo, tudo continuará sendo como é hoje, a menos que eu faça algo hoje, agora, no máximo mais tarde, mas tudo dentro das 24h do dia, por que não faço hoje o que insisto em deixar pra amanhã?
Eu não estou pensando na filosofia de Renato Russo em Pais e Filhos, quando ele diz que é preciso amar as pessoas hoje, intensamente, como se o amanhã não existisse, e nos atenta a pensar que na verdade ele não existe mesmo, não foi nisso que pensei, pensei em mim e na minha mania de enrolar, por exemplo: eu preciso mandar uma carta a um convênio médico, deveria ter feito isso desde o dia 19/05, mas justamente por deixar para amanhã acabei não fazendo isso até hoje e sinceramente eu acho que não mandarei mais.
Algumas coisas necessitam de tempo, até mesmo do amanhã, só para que tudo se acalme e que decisões não sejam tomadas no calor do momento, ou na raiva mesmo, mas algumas outras coisas merecem e devem ser resolvidas no já, no agora, caso contrário, nos acostumamos a elas, e passa um, dois, três amanhãs e aí vira barriga, sabe aquela que aparece e não some nunca? Que parece até que já nasceu conosco? É alguns problemas se alojam em nossas vidas como uma barriga.
Eu preciso tomar algumas decisões, e mesmo que eu esteja morrendo de vontade de deixar isso pra amanhã, vou encarar, só dessa vez, só pra saber como é viver o hoje.
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Marília
Terça-feira, Junho 21, 2005
EU HEIN...
Não consigo mais escrever, eu sei, já disse isso milduzentosetrintaenove vezes nesse blog, e somando as vezes que disse nos outros, ok... ok... deixa pra lá. Acontece que eu realmente não sei o que dizer, uma vez disse a Fernando que eu só escrevia sobre meu próprio umbigo, é egocêntrico mesmo, e sobre o que mais eu saberia falar? Assim com tanta convicção, sem titubear nas virgulas e pontos? Mas agora isso não tem dado certo, sequei, meu cérebro agora é inteiramente eletrônico, alguém poderia me programar?
Li Bukowski ontem e não consegui deixar de pensar que ele é um tosco, não digo que ele é um ignorante ou uma farsa, é claro que não, mas o velho Buk é meio putal, um velho falando que meteu a mão dentro da calcinha da garota é meio ARG! Pelo menos pra mim, pra ele duvido muito. Nunca gostei de velhos safados, aqueles tipos que perseguem a gente nos ônibus, buscando de toda forma um mísero contato físico com alguém que não repouse uma dentadura ao lado de sua cama. Isso me lembra aqueles cachorros que montam em qualquer perna de mesa ou joelho gordo. Pobre Bukowski.
Eu tenho um certo medo disso, envelhecer e perder a noção das coisas, como aquelas senhorinhas que aos 70 usam saia de lycra verde-limão e camisa de bolinhas roxa, é meio esdrúxulo, eu não tenho nada com isso, mas Deus me livre, como é bom ter amigos pra nessas horas olharem pra você e dizer algo como "tira isso que você está ridícula", é ainda bem que eu tenho amigos.
e não é que eu escrevi?!!
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Marília
Segunda-feira, Junho 20, 2005
"NÃO ME DÊ ATENÇÃO, E OBRIGADA POR PENSAR EM MIM"
Eu fiquei cansada, não sei se consigo explicar, só cansei, foi ontem à tarde, eu tomava um refrigerante e pensava em futebol, tentei entender por que sou são paulina, onde foi que isso começou, lembrei que detestava o Corinthians, só por implicância, não tinha graça encrencar com vascaíno, por exemplo, eles não são de muito bate-papo, meu pai pelo menos não. Falando nele, está aí um homem engraçado, mas eu também cansei dele.
Eu não sou muito de pular de alegria, mas sei dizer que estou feliz, e que estou triste também, eu sei falar do que sinto, só não sei lidar com os sentimentos, sou passiva, sempre fui, mas eu cansei de ser. Pensei em aprender a mandar tudo pelos ares, tem curso pra isso?
Experiência de vida. É assim que os otimistas chamam os fracassos, eu não ando interessada em empilhar experiências de vida no meu armário, eu gostaria mesmo é de colecionar fotos de sorrisos, a vida pode ser divertida, pode não ser tão pesada, insustentável. Eu acho.
Procurei um lugar onde eu realmente me sentisse segura, me surpreendi quando encontrei, é o lugar mais improvável, mais perigoso, é o coração de alguém. E o que será de mim agora? Eu também cansei disso, de querer viver algo impossível, de perguntar e não ouvir respostas, de me sentir sozinha quando todos estão comigo, de ser assim insatisfeita, cansei de entender a todos, de ser compreensiva, de ser boa e paciente, hoje eu queria errar sem culpa, ter direito à falha, ao risco, e que me perdoem caso as coisas não sejam como eu tenho pensado, caso eu machuque um coração, mesmo que seja o meu.
E cá estou eu pedindo perdão pelo que não fiz, mais uma vez. É eu cansei disso também.
Dá uma foto do seu sorriso?
"Portanto, aqui estamos nós misturando Revolução com Literatura e ambos combinam. De alguma forma tudo combina, mas eu fiquei cansado e espero pelo amanhã."
[Charles Bukowski]
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Marília
Quarta-feira, Junho 15, 2005
Abre Aspas cedendo um espaço....
"...Conhece a ti mesmo.."
Teste, um dois...teste..estamos on line? Switch, monitores em stand-by? ..Trinity, modos de escape, ativos?
Então agora se descortina a verdade....Marília..copie e cole...enter!
Preso dentro de uma fileira de bits o código binário sequer imagina o que há por trás dos pontos luminosos de um monitor SVGA de 17 polegadas, e como poderia? Como poderia saber o que se passa realmente dentro das mentes daquela massa de carbono tão perto em cliques, mas tão longe em cheiros, suor e lágrimas? Como uma idéia que se ilumina em descarga elétrica em neurônios reais pode ser captada por bits que de tão frágil, se perde em ctrl+alt+del? E não é bem fácil quando nossa vida depende disso? Oras! É apenas um apertar de botões em "on" é felicidade, em "off" esquecemos e pronto, a vida real está a nossa espera.
Quem pode dizer que o certo é certo sem estar vivendo dentro daquele plano? Sem estar sentindo a pele? Sem estar vendo a luminosidade do olhar? Sem ver o esboço do sorriso e o rascunho de uma lágrima? E quem pode dizer que isso não é real? Nós podemos, coadjuvantes, atores principais, roteiristas e contra-regras de nossas ações. Somos nós, eu e você, apenas!
Você pode sentir? Você pode ver? Deixe que o sol e sua energia renovadora faça com que as escamas da cegueira em sua vida abandone sua íris, sua visão e sua alma. Abra-se ao novo, mesmo ao novo que você conhece desde que nasceu, e não importa se esse novo é velho ou conhecido. Mude! Renove-se! Não se prenda a dogmas impostos por aqueles que querem nos fazer acreditar que a vida é apenas um apertar de botões. E aos insones, a hora de dormir é essa! E se, ao sonhar, você percebesse que na realidade o sonho nada mais é a prolongação de um estado de torpor ao qual sua mente enraizada na terra cinza da tristeza, brote em ramos de luzes prateadas e douradas, e a escuridão da terra cinza transborde na alegria de pessoas brilhantes?
Shiny Happy People! E nunca deixe que falem o que você deve fazer, nem os doutores da vida, nem os carrascos de idéias, nem os corvos empoleirados em túmulos. O caminho de sua estrada você trilha, sem pixels, nem bits, nem dados, você e quem a interesse que caminhe a seu lado. Precisa nomear isso? Caminhada, revezamento, maratona? Interferências externas servem pra ajudar a trilhar, não pra impor barreiras, e aos ditos pensadores que estão querendo nos fazer ver que a realidade é a que eles querem que seja, um BASTA! Aliás, que pensem que seja isso mesmo, assim uma única vez teremos paz. E mesmo assim ainda estaremos nas mãos do destino o qual se prolonga até a encruzilhada da dúvida, na esquina da incerteza com a da culpa. E ao contemplar o horizonte, vêem-se nuvens avermelhadas indicando o fim de tarde, e jogamos nossos mouses ao chão e esquecemos essa rede intrincada de bits, bytes e pixels, e a certeza de que amanhã a claridade invada nossas vidas, sem nada a nos atormentar, e o resto como sempre, são apenas pixels em pontos iluminados na tela.
Clayton - Peter P@rker
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Marília
Domingo, Junho 12, 2005
EFÊMERO
Minhas palavras são assim mesmo,
Secas, duras, afiadas, rudes...
São versos perdidos, não tente entender o que digo
Faço uso deles para iludir-me, engar-me
Quer um conselho? Não faça parte disso.
Por que sempre quem eu mais lembro é quem me esquece primeiro?
Aí meu orgulho aflora e grito pra mim mesma: "vão ao inferno!"
Não merecem um fiapo da minha sagrada alma.
É, que o mundo vá ao inferno.
Deixe-me com meus versos, meus dramas, é assim chamam, não é?
Nem me sinto abandonada
Sou muito mais, vou mais além, posso mais.
De nada me importa esse mundo incrédulo
Essas ilusões defuntas.
E essa ilusão que está se esvaindo de mim
Sinto-a igual a todas as outras que vão surgindo
E que um dia irão embora também
Eu quero mais é que a ilusão me esqueça.
"Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve:correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Sons-palavras são navalhas.
E eu não posso cantar como convém,sem querer ferir ninguém. Amar e mudar as coisas me interessam mais."
[Belchior]
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Marília
Sexta-feira, Junho 10, 2005
VAGABUNDOS ILUMINADOS...
E chamam a nós, os sensíveis, de iluminados e abençados!
Tolos, não percebem que a sensibilidade nada mais é que uma alergia ao REAL e assim criamos falas, sons, telas e tudo mais, para amenizar a urtiga que nos consome cada vez que abrimos os olhos e enxergamos o mundo.
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Marília
Terça-feira, Junho 07, 2005
CRIME E CASTIGO
Assassinei o medo
Roubei um beijo
Agora me chame de meliante
Seqüestrei a alegria alheia
Estuprei a ansiedade e agora ela não é mais ingênua
Matei o pessimismo
Sufoquei o amadorismo
Queimei o ontem
Dilacerei a incerteza
Acordei pra vida.
Castigue-me.
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Marília
Segunda-feira, Junho 06, 2005
ETERNAL SUNSHINE?
Tenho a sensação de que o tal fim da estrada é aqui, porque meus pés mostram o cansaço e eu já perdi o controle.Queria conversar sobre isso, mas ultimamente tenho falado sozinha, e isso não me parece bom. Queria apenas encontrar uma saída, uma alternativa, uma forma de não ser derrotista e principalmente, uma forma de não perder a fé.
Meu otimismo está me deixando na mão, nesses ultimos dias foram decepções, morte, desencontros, arrependimentos, choro, certezas de coisas que me fazem querer estar errada, e não ter certeza de absolutamente nada, coisas que me fazem desejar ser burra, mas eu não sou, então sou obrigada a decidir-me, e eu não queria passar por isso, não dessa vez.
São 02h15 e o sono não veio, continuo vasculhando em minha mente alguma forma de fazer isso tudo dar certo, tenho feito muitas perguntas ao meu coração, talvez não sejam as perguntas certas, no rádio está tocando aquela canção que diz que ninguém disse que seria difícil, é ninguém me disse que seria.
Estou frente a frente com a realidade, e hoje ela não é tão bonita quanto na semana passada, nem tem a cor que há tão pouco tempo eu vi, hoje está tudo cinza e em torno de mim foi construido um castelo de sombras, você sabe o que isso significa? Eu sei...
Eu também sei que essas são palavras sem sentido, desconexas, perdidas, como se eu estivesse alcolizada querendo dizer algo ao mundo, mas não, eu estou sóbria, e certa do que faço e digo, queria poder acordar a todos agora, gritar e implorar que façam essa dor cessar, mas ninguém é capaz disso, porque meu carrasco está sorrindo pra mim numa fotografia na cabeceira da minha cama.
Me prometeram o mundo, e agora de quem posso cobrar? Disseram que tudo daria certo, mentiram pra mim, eu sempre sou cega demais pra perceber.
Me concedam o direito de estar triste, ao menos hoje, só por hoje, sem que eu pareça dramática, sem que eu ouça que isso é drama, porque somente eu sei o que está me partindo ao meio, somente eu sei o quanto tem sido doloroso juntar os pedacinhos e sorrir dizendo que ficará tudo bem.
Eu só queria voltar ao início.
"Come up to meet you
Tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you
Tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets
And ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles
Coming up tails
Heads on a silence apart
Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start"
[Coldplay - The Scientist]
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Marília
Quinta-feira, Junho 02, 2005
ADVICE FOR THE YOUNG AT HEART
Recomendo beijos longos
Abraços apertados e longas conversas ao telefone
Aconselho que você faça as pazes consigo mesma
E ame de paixão cada pedacinho do seu corpo, ame com devoção.
Aceite sua natureza, independente do que isso signifique
Não espere que o mundo mude por você, talvez seja preciso que você mude por ele
Ocupe sua mente, leia muito, estude o máximo, cante, dance
Alimente sua alma com tudo de melhor que você encontrar
Faça parte de algum grupo, faça amizades, seja mais sociável.
Ame, ame muito, ame mais, isso nunca é demais
Seja feliz, sozinho ou acompanhado, simplesmente seja feliz
Aceite as diferenças, aprenda com elas e não seja preconceituoso
Seja franco, sincero, verdadeiro, sempre e mais.
Honestidade e respeito não fazem mal a ninguém.
E principalmente não faça aos outros o que você não quer que seja feito com você
Quando alguém lhe magoar pela primeira vez, seja generoso, perdoe
Mas se esse mesmo alguém lhe magoar outras vezes,
Saiba que você é responsável por isso, seja generoso, não negligente consigo mesmo.
Esse foi o melhor ensinamento que já recebi.
Pena que eu não aprendi nada com ele.
"Love is promise
Love is a souvenir
Once given
Never forgotten, never let it disappear
This could be our last chance
When we gonna make it work ?
Working hour is over
And how it makes me weep
Cos someone sent my soul to sleep
And when I think of you and all the love that's due
I'll make a promise, I'll make a stand
Cos to these big brown eyes, this comes as no surprise
We've got the whole wide world in our hands"
[Tears for Fears]
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Marília
Quarta-feira, Junho 01, 2005
OS ANJOS
Então eu sou uma menina, somente uma menina, que distribui sorrisos e palavras, que chora de rir e que ama viver, mesmo que pareça triste, o que não é, mas ainda sim consegue ver um charme no bucólico.
Sou filha dela e dele, pessoas simples e de bom coração, que me fizeram assim, durona e de vidro, sincera e independente, e ainda que isso assuste alguns. É assim que eu gosto de ser.
Sou irmã dele, ele que me irrita, me incomoda, me tira do sério, me faz de besta, me ama e agarra pelas bochechas, dando um beijo forçado, um abraço desengonçado e mostrando a bunda, achando tudo o maior barato.
Sou amiga dela, a grande mulher de 1,50m que deu a luz a uma menina linda, e a um menino esperto, e tenho orgulho deles, dos três, e rimos juntas, já bebemos juntas e choramos também, mas muito mais foram as gargalhadas perdidas em madrugadas, que escondem segredos que jamais ousarei contar, não por serem cabeludos, não, mas sim por conterem em si, toda felicidade de uma época que não volta mais.
Sou louca por ele, louca e apaixonada, e mesmo que ele não goste que eu fale, mesmo que ele não permita que eu expresse e diga ao mundo que sim, eu o amo, ainda sim, aqui eu o farei, estou no meu espaço e digo. Sou louca pelo sorriso dele, e o jeito debochado que ele fala, pelas sacadas e comentários inteligentes que ele sempre tem, como se tivesse um guia interno, sabendo opinar em tudo e sobre tudo. Sou louca por ele, pelo jeito que ele dorme, e mesmo quando ele me deixa triste, lembro do quanto tudo que tenho é especial e o quanto vale a pena ter paciência. Sou louca por ele e mesmo que exista uma chance dele não ser, ainda sim, serei, já não domino mais o meu sentir.
Sou feita de terra e não de areia, não me desmancho com facilidade, apenas me adapto ao tempo, aos problemas e a tudo que tenho que enfrentar. Sou feita de amor, de afeto, fui bem quista desde as idealizações de meus pais em terem filhos, até o momento em que me carregaram no colo, até o momento em que me carregam no colo, ainda hoje, com o mesmo carinho, não sei lidar com o desafeto, nem com a indiferença, sou egoísta com o amor, quero muito e mais, e não consigo achar que isso seja ruim.
Sou amiga dela, que está tão feliz com o amor, com o novo amor, que é correspondida, que é menina, que é boba como qualquer pessoa apaixonada, que parece que vai dar saltos de alegria. Sou amiga dela e não a conheço de toque, e quero tanto abraçá-la e agradecê-la por tudo e mais um pouco, essa amizade carioca que o orkut me trouxe. Que Feliz!!!
Sou feita de vários pedacinhos, frações de cada uma dessas pessoas e de outras mais, e trago comigo o melhor que elas, ao longo desses 22 anos têm me dado e ensinado, e sou feliz assim, feita de retalhos, sendo única, como uma canção completamente inconstante, cheia de compassos tortos, psicatos, semi-colcheias rápidas e as vezes com semibreves dando pausa a essa melodia louca que eu chamo de minha vida.
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Marília
SOBRE OUVIR COISAS E SER A COISA
Quando eu era pequena eu ouvia coisas, vozes, estranhas, desconhecidas, e não me perguntem como é que elas iam parar na minha cabeça, de alguma forma elas chegavam lá. Agora, já adulta - ou não - tenho algumas teorias a esse respeito, uma em especial surgiu após eu ver o filme "Quero Ser John Malkovich" do Salve! Salve! Charlie Kaufman, no filme existe um cara, um paspalho, sensível, porém fracassado, gente boa pra caramba, mas um perdedor, ele arranja trabalho no andar 7 1/2 de um edifício, imaginem, andar 7 e 1/2, boa coisa não devia ser, enfim, nesse andar ele encontrou um portal que a pessoa que o atravessasse seria o Ator John Malkovich por 15 minutos, após esse tempo ela desembocaria em algum canto perdido da cidade, imaginem, ser outra pessoa por 15 minutos, ver a vida por outros olhos, sentir desde paladar ao toque pelo corpo de outro alguém, então você deve estar pensando, por que essa menina é tão prolixa... por que ela não aperta o bendito enter e cria outro parágrafo...que o filme tem a ver com as tais vozes, se é que você ainda se lembra delas... mas continuando, e se em algum lugar desse mundo houver um portal que desse acesso a minha mente, então alguém poderia ser eu durante 15 minutos?
Ok, agora é sua vez de pensar que eu estou louca, e por qual motivo alguém gostaria de ser eu... e eu lhe respondo... e porque alguém não haveria de querer?
Pessoas passam tanto tempo de suas vidas olhando a vida alheia que se tivessem a chance de serem outras pessoas, seriam, mas seriam mesmo. A verdade é que um dia eu me revoltei e mandei todas as vozes ir procurar suas turmas, que sumissem da minha audição e pronto, elas foram, nunca mais voltaram, e eu não sinto falta delas, e se um dia reaparecerem eu botarei todas elas pra correr, o que é isso? A mente da sogra?
Se eu pudesse ser alguém durante 15 minutos, eu seria o próprio Charlie Kaufman, algo de bom eu conseguiria extrair dessa experiência, ou então seria Nick Horniby, dois escritores, pois é, mas eu juro que não roubaria nenhuma boa idéia deles e depois as lançaria com meu próprio nome, magina, não faria isso...bom, é... então...humm
Mas ser Marília deve ter seus atrativos também, ou não, hum, será?
"Merda! É esse cara é o ator.
Merda! Qual é o nome?
Esse cara é o ator!
O que está acontecendo?
Sou eu dentro dele?
Estou em seu cérebro?
Eu sou ele?
Sou eu?"
posted by
Marília
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